Fotos: laudo constata maus tratos a bois dentro de navio em Santos

Embarcação NADA ficou atracada durante sete dias e partiu para Turquia na madrugada de segunda-feira (5)

06/02/2018 - 19:34 hs
Foto: (Foto: Divulgação)
Fotos: laudo constata maus tratos a bois dentro de navio em Santos
laudo constata maus tratos a bois dentro de navio em Santos

Um laudo de inspeção técnica realizado pela veterinária Magda Regina no navio Nada, que ficou atracado no Porto de Santos durante uma semana com cerca de 27 mil bois a bordo, constatou “maus tratos aos animais e violação explícita da dignidade animal”. A inspeção ocorreu a pedido da Justiça de São Paulo, que impediu a viagem da embarcação com a carga viva e posteriormente exigiu o desembarque imediato do rebanho. A revista Globo Rural teve acesso à íntegra do documento anexado ao processo.

De acordo com o relato da profissional, as condições de higiene eram precárias, principalmente para os animais ingressos na embarcação desde o dia 26 de janeiro. “A imensa quantidade de urina e excrementos produzida e acumulada nesse período, propiciou impressionante deposição no assoalho de uma camada de dejetos lamacenta. O odor amoniacal nesses andares era extremamente intenso tornando difícil a respiração,” diz um trecho do relatório.

Tais condições se dão devido a impossibilidade do processo de lavagem. Informações do laudo apontam que o processo de lavagem dos pisos ocorre a cada cinco dias, mas apenas após a partida do navio. Um sistema que faz a dessalinização da água do mar é acionado durante a viagem. Portanto, enquanto o navio está atracado, a limpeza não é realizada. Os dejetos acumulados pelo processo de limpeza durante a viagem têm seu conteúdo descartado, sem qualquer tratamento, ao mar, aponta a inspeção da veterinária.

Ao todo são cerca de 11 pessoas cuidando dos animais na embarcação durante a viagem. O trajeto do Brasil à Turquia dura aproximadamente 15 dias. Três veterinário embarcados são responsáveis pela assistência médica e inspeção dos animais. Ou seja, para cada 9.000 animais há um veterinário. Além disso, oito vaqueiros que trabalham em turnos, verificando as condições de integridade dos animais.

Quanto à alimentação, Magda relata que há o fornecimento regular de comida e, quando em curso, o sistema de dessalinização da embarcação tem condições de produzir água em quantidade satisfatória. Mas, muitos dos comedouros e bebedouros disponíveis encontravam-se com detritos de fezes e clara presença de ferrugem.

Nas baias cada animal possui dimensões menores que 1m² por indivíduo. “Definitivamente, o transporte marítimo de carga viva não contempla a possibilidade de saída dos animais de suas baias de confinamento até seu destino de chegada, impedindo assim qualquer tipo de descanso ou passeio para o animal. No interior de seu recinto de confinamento (baias) e unicamente possível ao animal prostrar-se ao chão. Tal movimento certamente diminui espaço na área dos animais vizinhos presos no mesmo brete e sujeita assim o animal a contato íntimo com seus dejetos e os dejetos de outros animais.”

Os animais que falecem durante o percurso são levados à um espaço do navio conhecido como Graxaria e inseridos em um dispositivo mecânico responsável por triturar o animal completamente. Os pedaços de carcaça são descartados durante no mar durante o trajeto. (Com conteúdo do Globo Rural).