Justiça suspende nomeação de filho do deputado Wladimir Costa por falta de qualificação para cargo federal

Justiça suspende nomeação de filho do deputado Wladimir Costa por falta de qualificação para cargo federal

Decisão aponta que jovem "não possui preparação mínima para o cargo"

09/03/2018 - 14:43 hs
Foto: (Reprodução / Facebook)
Justiça suspende nomeação de filho do deputado Wladimir Costa por falta de qualificação para cargo federal
Yorann Costa, filho do deputado Wladimir Costa (SD/PA) tem nomeação suspensa pela Justiça Federal. (

A Justiça Federal acatou pedido liminar e suspendeu a nomeação de Yorann Christie Braga da Costa, filho do deputado federal Wladimir Costa (SD/PA), ao cargo de delegado federal de Desenvolvimento Agrário do Pará por falta de qualificação. O jovem de 22 anos havia sido indicado para administrar recursos no valor de R$ 100 milhões no Pará, com salário de cerca de R$ 10 mil. O G1 já tentou contato com Yorran e aguarda posicionamento.

A juíza Mariana Garcia Cunha, da 5ª Vara Federal Cível do Pará, afirmou na decisão que Yorann "limitou-se a informar que é estudante de Direito e frequenta curso técnico de Tecnologia em Gestão Pública, ou seja, o estudante não tem experiência profissional alguma, tampouco experiência de gestão. Além disso, ainda está em curso sua formação acadêmica".

O documento diz ainda que o fato de Yorann estar cursando Direito não é suficiente para afastá-lo do cargo. No entanto, ele apresenta um histórico escolar mediano com notas médias mínimas e reprovação em várias matérias. Além disso, a decisão aponta que, por se tratar de um cargo de direção, é esperada a experiência no gerenciamento de equipes ou no mínimo na área agrária, 'o que não é caso de Yorran'.

"Não se trata de avaliar se o administrador fez a melhor escolha, mas de verificar se a escolha estabeleceu os critérios mínimos da lei, o que não existiu, pois o delegado não possui preparação mínima para o cargo", assinala a decisão.

Ação popular

Uma ação popular foi protocolada em janeiro no Diário Oficial da União indicando que o cargo é de grande responsabilidade, pois lida com o orçamento do desenvolvimento agrário no estado, com repasse anual de R$100 milhões.

De acordo com a ação, o "jovem demonstra falha de gestão e deve favores ao pai, por ser devedor de um empréstimo de R$1, 2 milhão".

A ação diz ainda que a nomeação demonstra desvio de finalidade, fere os princípios da administração pública, em especial a moralidade administrativa, e representa nepotismo.

Polêmicas

Conhecido por situações polêmicas em seu mandato, o deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) estourou um rojão de confetes durante as sessões de votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, alegando que o governo do PT dava "um tiro de morte" no coração do povo brasileiro. O deputado usou o recurso em duas outras oportunidades, inclusive durante seu voto favorável ao impeachment durante a votação na Câmara.

Em 2017, foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) por abuso de poder econômico e gastos ilícitos na campanha eleitoral de 2014. O político recorre da decisão.

Em 2016, Wladimir Costa já havia sido condenado à perda de mandato pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA). Na ocasião, a Corte julgou a arrecadação e gastos ilícitos na campanha eleitoral do deputado. Wladimir Costa declarou que gastou R$ 642.457,48 durante sua campanha à Câmara Federal, mas segundo o MPE, o candidato deixou de declarar R$ 149.950 em despesas de material gráfico, além de mais de R$ 100 mil em despesas efetuadas entre julho e setembro do ano eleitoral de 2014, que não constam na prestação de contas. O deputado recorreu da decisão.

Em julho de 2017, Wladimir fez aparição pública em Salinas, balnerário do Pará, com a palavra “Temer” tatuada no ombro direito. Acima do nome do presidente, aparecia uma bandeira do Brasil. À época, Costa declarou que a tatuagem seria permanente. Mas logo depois, ele não foi mais visto com o nome do atual presidente no ombro.

Em agosto de 2017, durante as articulações para barrar o avanço das investigações sobre a denúncia que pesava contra ele por corrupção passiva, e que havia chegado à Câmara dos Deputados, Wladimir Costa foi flagrado, dentro do plenário e durante a votação, trocando mensagens com uma mulher em que pedia para ela "mostrar a bunda", com a justificativa de que "não são suas profissões que a destacam como mulher". (Com conteúdo do G1).