Professores do município decidem entrar em greve na quarta-feira

"Atual arrecadação não custeia a folha corrente do município", afirmou o prefeito Valdeto Ferreira em ofício que rejeitou contraproposta do Sintego

12/04/2018 - 21:11 hs
Foto: (Euclides Oliveira)
Professores do município decidem entrar em greve na quarta-feira
Adesão à greve não foi unânime em Niquelândia, mas prevaleceu a vontade da da maioria do professores

Professores da rede municipal de ensino de Niquelândia decidiram, no início da noite desta quinta-feira (12), que vão entrar em greve por tempo indeterminado a partir das 8 horas da manhã da quarta-feira (18). A deliberação por cruzar os braços após frustradas tentativas de negociação com o prefeito Valdeto Ferreira Rodrigues (PSB) se deu em tensa assembleia conduzida pela presidente da Regional Uruaçu do Sindicato dos Trabalhadores na Educação em Goiás (Sintego), Maria Geralda Ferreira, no salão social da entidade no Bairro Maracanã.

Outra proposta apresentada por Maria Geralda, de continuar com paralisações recentes (por tempo determinado, com idas e vindas à sala de aula) foi recusada na reunião.

Ao Portal Excelência Notícias, único veículo de comunicação da cidade que acompanhou em tempo real a assembleia do Sintego, Maria Geralda detalhou que o início da greve precisa respeitar o prazo obrigatório de 72 horas de antecedência para que a entidade classista não se torne alvo de questionamentos sobre a legalidade do movimento pela Prefeitura de Niquelândia, na Vara da Justiça do Trabalho em Uruaçu.

Dessa forma, haverá aulas normalmente nesta sexta-feira (13); na segunda-feira (16); e na terça-feira (17). A greve terá início na quarta-feira (18) com uma grande concentração dos educadores na porta da sede do Ministério Público (MP) de Niquelândia, quando uma comissão do movimento grevista deverá encontrar-se com a promotora Nathalia Botelho Portugal.

Depois, em passeata, os professores seguirão em marcha pela Avenida Brasil ate a porta da sede da prefeitura, para alertar os comerciantes e a população em geral sobre as dificuldades enfrentadas até o momento, que resultaram na decisão de parar as aulas aos alunos da rede pública municipal.

Na quarta-feira (4), o Sintego apresentou contraproposta ao município onde os professores exigiam o pagamento integral do mês de dezembro/17; a parcela de restante do 13º salário do ano passado; e o mês de janeiro/18 até o dia 30 de abril, bem como que os parcelamentos do saldo devedor de 2016 e de 2017 fossem feitos em quantidade de parcelas menor que a proposta inicial do município.

Inclusive, na proposta inicial da prefeitura, sequer havia previsão de liquidar duas folhas do pagamento da Educação de uma única vez. Nesse sentido, Valdeto encaminhou novo ofício ao Sintego nesta quinta-feira (12) em que afirmou categoricamente que “a atual arrecadação não custeia a folha corrente do munícipio, razão pela qual uma proposta de pagamento parcelado depende irremediavelmente de mudanças significativas e estruturais no funcionamento de todos os serviços públicos, o que o município está executando”, disse o prefeito, no documento.

Valdeto, ainda nesse ofício, afirmou também que o MP por sua atuação institucional teria oferecido-se para intermediar as negociações e que “existe um pré-agendamento (da reunião) para o dia 18 de abril, período em que o município também poderá finalizar providências de redução de gastos para viabilizar maior percentual de pagamento da folha”, atestou o prefeito, na sequência do ofício.

Por fim, o prefeito de Niquelândia agradeceu o Sintego pela importância do diálogo que foi estabelecido pela entidade com o município, pedindo ainda que “se evitem paralisações onde o maior prejudicado seria os alunos”, nas palavras do chefe do Executivo.

Ao final da assembleia, em entrevista ao Portal Excelência Notícias, Maria Geralda disse que a entidade fará todo o possível para garantir o maior percentual possível de adesão dos professores municipais à greve, afim de que o movimento se sustente até a conquista dos pleitos sobre o pagamento dos salários em atraso junto ao gestor local.

Em maio de 2016, quando houve greve na gestão do então prefeito Luiz Teixeira (PSD), o movimentou esvaziou-se e a categoria teve o ponto cortado, cujos valores ainda estão tentando receber.

Segundo Maria Geralda, a iminente saída de Valdeto do cargo de prefeito – fato esse que pode ocorrer a qualquer momento, por determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) – não deverá ser um facilitador para um entendimento do Sintego com o futuro prefeito interino do município, Léo Ferreira (PSB) – atual presidente da Câmara Municipal – “pois a dívida (os salários atrasados) não é do gestor mas sim da Prefeitura de Niquelândia com os nossos professores”, afirmou a sindicalista. (Com conteúdo do site Excelência Notícias