Entenda por que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos EUA é tão polêmico

Anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo presidente dos EUA, Donald Trump:

06/12/2017 - 16:36 hs
Foto: (Reuters/Baz Ratner)
Entenda por que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos EUA é tão polêmico
Homem lê jornal em café com embaixada americana em Tel Aviv à sua frente

Anunciado nesta quarta-feira (6) pelo presidente americano, Donald Trump, o reconhecimeno de Jerusalém como capital de Israel e a mudança da Embaixada dos EUA em Israel a cidade são movimentos delicados e que causam muita polêmica no cenário internacional.

Atualmente, a maioria dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv, justamente pela falta de consenso na comunidade internacional sobre o status de Jerusalém. A posição da maior parte da comunidade internacional, e dos Estados Unidos até o anúncio desta quarta, é a de que o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

No conflito entre Israel e palestinos, o status diplomático de Jerusalém, cidade que abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais polêmicas e ponto crucial nas negociações de paz.

Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível. Mas os palestinos reivindicam parte da cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro Estado.

Veja abaixo o que alguns atores internacionais pensam sobre a questão.

O que pensa Israel

Nesta terça (5), o governo israelense voltou a reafirmar sua posição: "Jerusalém é a capital do povo judeu há 3.000 anos e a capital de Israel há 70 anos". Isso vale para toda a Jerusalém, Oriental e Ocidental, cidade "reunificada".

O que pensam os palestinos

Interlocutora da comunidade internacional e de Israel, a Autoridade Palestina reivindica Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado palestino independente. Já o Hamas islamita, que não reconhece Israel, evoca toda a cidade de Jerusalém como a capital de um futuro Estado da Palestina.

Qual a posição dos EUA

Em 1995, o Congresso americano adotou o Jerusalem Embassy Act (Lei da Embaixada de Jerusalém), com um apelo para que o governo mude a embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém, "capital do Estado de Israel".

A lei é obrigatória para o governo americano, mas uma cláusula permite aos presidentes adiar sua aplicação por seis meses. Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama acionaram a cláusula, sistematicamente, a cada seis meses.

A contragosto, Trump fez isso pela primeira vez em junho de 2017.

Qual a posição da comunidade internacional

A ONU não reconhece a anexação de Jerusalém Oriental, considerada como território ocupado. Ela declarou a lei israelense de 1980 como uma violação Direito Internacional.

Para o organismo, o status final de Jerusalém deve ser negociado entre as partes.

Em 1980, a ONU fez um apelo, por meio da resolução 478, a todos os países com missão diplomática em Jerusalém para que se retirassem de lá. Treze países (Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Holanda, Panamá, Uruguai, Venezuela) transferiram sua embaixada para Tel-Aviv. O Brasil, assim como a maior parte dos países que reconhecem Israel, também mantém sua embaixada em Tel-Aviv.

Singularidade russa

Em 2017, a imprensa israelense fez grande alarde de um comunicado do governo russo, no qual Moscou disse considerar "Jerusalém Oriental como a capital de Israel".

Comemorada por uma parte da classe política israelense, ainda que sem consequências concretas, a nota também reconhecia "Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado palestino".

Histórico

O plano da ONU em 1947 previa a partição da então Palestina em três entidades: um Estado judeu, um Estado árabe e Jerusalém, formando um "corpus separatum" sob regime internacional especial administrado pelas Nações Unidas.

O plano foi aceito pelos dirigentes sionistas, mas rejeitado pelos líderes árabes.

Na esteira da saída dos britânicos da região e da primeira guerra árabe-israelense, o Estado de Israel é criado em 1948, e tem Jerusalém Oriental instituída como capital, com Jerusalém Leste ainda sob controle da Jordânia.

Israel toma conta de Jerusalém Oriental ao longo da guerra dos Seis Dias, em 1967, anexando o território. Em 1980, uma lei fundamental israelense confirma o status de Jerusalém como capital "eterna e indivisível" de Israel.